O receio em ser espionada levou a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), a deputada estadual Ivana Bastos (PSD), a destinar R$ 600 mil dos cofres públicos para a compra de um kit especializado em detecção de escutas ambientais, câmeras ocultas e grampos telefônicos. O contrato foi fechado sem licitação entre a Alba e a Berkana Tecnologia em Segurança, empresa sediada em São Paulo e considerada uma das principais fornecedoras do país no segmento de aparelhos de contraespionagem.
Inimigo oculto
Assinado em dezembro do ano passado, dez meses após Ivana Bastos assumir o comando da Alba, o contrato teve como objetivo a compra do Kit TTK, um sistema completo de varreduras armazenado em uma maleta de fácil transporte. O equipamento permite detectar eventuais escutas instaladas no gabinete da presidência da Assembleia ou em encontros fechados fora da sede do Legislativo estadual.
Pente fino
A maleta antiarapongagem usada pela equipe de segurança de Ivana Bastos é composta por cinco equipamentos. Alguns deles são detectores portáteis de sinais invasores via cabo, fiação telefônica, Wi-Fi e Bluetooth, capazes de identificar alterações ou gravações clandestinas por radiofrequência. Outros localizam dispositivos eletrônicos escondidos em paredes, tetos e móveis, incluindo microcâmeras e componentes em miniatura no formato de chips de celulares (cartões SIM), mesmo quando desligados.
Pulga na orelha
A compra do kit confirma relatos feitos à coluna Metropolítica por parlamentares da base aliada e da oposição sobre a crescente desconfiança de Ivana Bastos de que teria se tornado alvo de espionagem interna. Lideranças do bloco governista também criticaram, em conversas reservadas, a grande quantidade de policiais militares lotados na Casa Militar da Alba que acompanham a presidente da Casa em viagens ao interior do estado.




