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Fala Serio

O que seria de Marx sem Engels e da esquerda sem dinheiro?

"Sem a ajuda de Engels, Marx não teria conseguido finalizar o primeiro volume dessa obra fenomenal ("O Capital"), devido às dificuldades e das condições precárias de vida de sua família em Londres". ("Esquerda Marxista Internacional, Corrente Marxista", 30/8/2016).

Efetivamente, enquanto envolvido nas abstrações da teoria econômica, por vezes quase que inextricáveis, Marx era constantemente forçado a deixar suas meditações para ouvir os xingamentos dos vendeiros e carniceiros à porta de sua casa em Londres, empunhando as listas das contas atrasadas. Friedrich Engels, um dos filhos de um grande capitalista e comerciante de Manchester, de uma rica família, sensibilizado pelas condições miseráveis em que viviam as famílias no período da revolução industrial, além de produzir suas próprias e importantes obras no campo da sociologia, foi o arrimo financeiro de Marx, sem o qual essa obra, que a esquerda marxista  remanescente em nossos dias qualifica como fenomenal, não teria vindo à luz.

Com a adesão de Lênin às ideias marxistas, lograram tomar o poder central num país economicamente atrasado, a Rússia, num contraponto a um de seus basilares princípios, o de que o socialismo somente vingaria num país em que o capitalismo houvesse se desenvolvido suficientemente. Em verdade, Lênin, com sua capacidade carismática,  capaz de galvanizar grandes massas, principalmente um povo subjugado por um czarismo cruel,  e pouco crítico, não lançou, na Rússia, as bases de uma economia socialista, de uma sociedade sem classes, tal como pregadas por Marx e Engels, mas simplesmente liderou um movimento que se apoderou do poder político, para desenvolver um projeto de novo governo, certamente vislumbrando no horizonte aqueles princípios.

Desde logo, os sovietes que se organizaram na Rússia perceberam que, sem recursos financeiros sólidos, não teriam como implantar governo algum, sobretudo fundado num Estado forte. Não há Estado e Estado forte sem muito dinheiro. Não à toa, neste momento histórico, sorriem do mundo os governos abastecidos por monopólios petrolíferos, geralmente totalitários e opressores, porque uma autêntica democracia pressupõe efetiva distribuição de renda e justiça social. E adotaram várias providências para criar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas; os recursos financeiros permitiram a primeira viagem espacial tripulada e a manutenção, por longos anos, da "guerra fria", que muitos prejuízos trouxe à humanidade. Em suma, para derrotar a "burguesia" é necessário usar o dinheiro acumulado pela "burguesia".

Não é preciso dizer no que deu a desastrada experiência soviética. A "ditadura do proletariado", preconizada por Marx e Engels, resumiu-se ao fuzilamento de milhares de camponeses que não queriam perder a propriedade privada de suas terras, hoje reivindicada, no Brasil, pelo "Movimento Sem Terra" e outros. Genocídio comparável ao genocídio perpetrado pelo nazismo na segunda guerra mundial, mas os iluminados somente se lembram deste último; e caiu a "ditadura do proletariado" como um castelinho de cartas ao vento da praia.

Em nosso país, os movimentos de esquerda que se opuseram ao governo militar de armas na mão, exceção feita ao Partido Comunista Brasileiro, que permaneceu no campo institucional ou, como diziam, adotavam a "via pacífica" e, por isso mesmo, foi fortemente anatematizado pelos mencionados grupos guerrilheiros,  estes tinham em conta que, sem dinheiro para enfrentar um grande exército regular, necessitavam, preliminarmente, de dinheiro. Por consequência, não se configuraram como "grupos terroristas", como dizia a ditadura e hoje muitos repetem, mas como grupos de assaltantes de bancos, que, escondidos em "aparelhos" nos grandes centros urbanos,  não tinham como conquistar o povo para suas finalidades políticas. Desse modo, logo esses fins se transformaram em meros fins de sobrevivência, considerada a forte repressão que se organizou para combatê-los com ferocidade. Não obstante alguns assaltos bancários bem sucedidos, sucumbiram, de modo muito mais rápido que o crime organizado de hoje, que o Estado de Direito não consegue enfrentar e neutralizar. Não poderia ser de outra forma.

Mais uma vez ficou evidenciado que, sem o dinheiro acumulado pela "burguesia", não há como empreender um movimento revolucionário para derrubar o capitalismo. Ganhou corpo, nessa quadra, o pensamento do Partido Comunista Italiano, que, sob a condução de Enrico Berlinguer, deu azo ao "eurocomunismo". Seu princípio fundamental consistiu em que sua atividade política não se destinava a obter uma democracia formal, nos moldes do iluminismo, com todas suas liberdades individuais e coletivas, seus sistemas abertos de acesso ao poder pelas maiorias, simplesmente como um meio para atingir o socialismo, mas como um fim universal. Era a renúncia aos postulados marxistas e a adesão à sociedade de classes, à livre iniciativa de mercado, ao movimento social-democrata que sempre fustigaram, numa erronia histórica de graves consequências. Com efeito, se os comunistas se unissem aos social-democratas e os social-democratas aos comunistas, em defesa de um regime livre e democrático na Alemanha pré-guerra, com certeza o nacional socialismo não seria vitorioso e a segunda guerra mundial não eclodiria. A divisão da esquerda, considerada "lato sensu", permitiu que a segunda hecatombe do século passado levasse a vida e impusesse sofrimentos inolvidáveis a grande parte da humanidade.

Na última quadra política do Brasil, vimos a esquerda galgar o poder e sucumbir num presidencialismo de coalizão. O PT precisava incondicionalmente do velho e vil metal. Para obtê-lo, chafurdou-se no pantanal. Começou o "déblâque" com o episódio de Celso Daniel, depois as vilanias reveladas no  mensalão e nas operações da Polícia Federal, sobretudo a lava-jato. A proibição do financiamento de campanhas por pessoas jurídicas foi a pá de cal. O PT morreu. Se ressuscitará em novos moldes, só o futuro dirá.

Voltamos ao fenômeno insuperável da interligação dinheiro e esquerda. Esta, assim como a direita, definhou. Foram-se as ideologias em favor de visões de mundo pragmáticas; do estado do bem-estar social, considerado o regime democrático sensível à justiça social e a democracia dos direitos individuais e coletivos e das liberdades. E de um Estado menos pesado e abocanhador a fundo perdido. Para isso o Brasil precisa de todas as reformas consabidas, reiteradas nos discursos e jamais realizadas a contento. 

Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas

 

Perda auditiva deve ser tratada para não inibir convívio

Perda auditiva deve ser tratada para não inibir convívio
É comum associarmos ao envelhecimento a inatividade, problemas de saúde e perda da independência. De fato, à medida que envelhecemos, estamos mais susceptíveis a doenças crônicas comuns da idade - como pressão alta e diabetes -, à perda de mobilidade e de memória. Mas muitas das limitações inerentes ao processo de envelhecimento podem ser amenizadas, como é o caso da perda de audição.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o problema acomete um terço da população acima dos 65 anos e metade dos idosos com mais de 75 anos. No Brasil, de acordo com o IBGE, a população com mais de 60 anos ronda os 25 milhões, o que sugere um potencial enorme para incidência do problema.
Alguns sintomas como zumbidos e sensação de ouvido entupido podem indicar o início de uma perda auditiva. No convívio social, também é possível notar a limitação quando o idoso começa a falar muito alto ou muito baixo, porque não escuta a própria voz, a repetir perguntas por não entender as respostas e a ter dificuldade de se comunicar por telefone.
Quando há perda de audição, também é comum o idoso passar por situações constrangedoras, o que pode inibi-lo, a ponto de ele preferir evitar o convívio social. Ele diminui a frequência da ida à padaria, ao açougue ou ao supermercado, porque para ele o atendente fala muito baixo; fica mais introspectivo quando reunido em eventos sociais, porque as pessoas perdem a paciência com ele.
Ainda em 2014, nos Estados Unidos, um estudo do Instittuto Nacional de Surdez e Outras Desordens da Comunicação (U.S. National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, no original) constatou que conforme a audição ia diminuindo aumentava o percentual de adultos com depressão, de 5 % para 11 % se considerados aqueles que tinham perda auditiva. Outra correlação preocupante foi identificada pela Universidade Johns Hopkins, que avaliou 2.017 pessoas de 40 a 69 anos e concluiu que a perda auditiva aumenta o risco de acidentes, como tropeços e quedas. Segundo a universidade americana, pessoas com perda de 25 dB (considerada leve) tinham triplicadas as chances de quedas.
Os idosos podem ter a audição prejudicada por fatores diversos, como a degeneração das células do ouvido ou por confusão mental, caso em que o idoso escuta, mas não entende. Um simples exame de audiometria pode indicar a perda de audição e, a partir dele, ser definido o tratamento. A partir dos 60 anos, esse é um exame de deve ser incluído no check-up anual.
A reabilitação, na maioria das vezes, comtempla o uso do aparelho auditivo. Atualmente, esses aparelhos são bastante confortáveis, mais acessíveis do que no passado, em termos de preço, e muito discretos. Há modelos de aparelhos auditivos altamente tecnológicos, com múltiplas funções e tamanhos bastante reduzidos. Alguns deles são capazes de amenizar 90 % das perdas auditivas, inclusive as mais severas. O mercado também já disponibiliza opções com tecnologia wireless, que captam inclusive o som de celulares.
Há casos de perda de audição, no entanto, em que há necessidade de implante coclear - também chamado de ouvido biônico - ou implantes de ouvido médio, que captam o som convertendo-o em vibrações mecânicas. Apenas o especialista pode indicar o tratamento mais apropriado, mas qualquer que seja a reabilitação o apoio da família irá colaborar enormemente para que o idoso se sinta mais confortável e motivado a encarar a perda auditiva e procurar ajuda médica.
Protelar o problema só agrava a exposição do idoso a doenças secundárias, privando-o de manter uma convivência plena e positiva com os amigos e familiares.
Andréa Abrahão - fonoaudióloga, diretora da rede de reabilitação auditiva Direito de Ouvir.

É comum associarmos ao envelhecimento a inatividade, problemas de saúde e perda da independência. De fato, à medida que envelhecemos, estamos mais susceptíveis a doenças crônicas comuns da idade - como pressão alta e diabetes -, à perda de mobilidade e de memória. Mas muitas das limitações inerentes ao processo de envelhecimento podem ser amenizadas, como é o caso da perda de audição.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o problema acomete um terço da população acima dos 65 anos e metade dos idosos com mais de 75 anos. No Brasil, de acordo com o IBGE, a população com mais de 60 anos ronda os 25 milhões, o que sugere um potencial enorme para incidência do problema.

Alguns sintomas como zumbidos e sensação de ouvido entupido podem indicar o início de uma perda auditiva. No convívio social, também é possível notar a limitação quando o idoso começa a falar muito alto ou muito baixo, porque não escuta a própria voz, a repetir perguntas por não entender as respostas e a ter dificuldade de se comunicar por telefone.

Quando há perda de audição, também é comum o idoso passar por situações constrangedoras, o que pode inibi-lo, a ponto de ele preferir evitar o convívio social. Ele diminui a frequência da ida à padaria, ao açougue ou ao supermercado, porque para ele o atendente fala muito baixo; fica mais introspectivo quando reunido em eventos sociais, porque as pessoas perdem a paciência com ele.

Ainda em 2014, nos Estados Unidos, um estudo do Instittuto Nacional de Surdez e Outras Desordens da Comunicação (U.S. National Institute on Deafness and Other Communication Disorders, no original) constatou que conforme a audição ia diminuindo aumentava o percentual de adultos com depressão, de 5 % para 11 % se considerados aqueles que tinham perda auditiva. Outra correlação preocupante foi identificada pela Universidade Johns Hopkins, que avaliou 2.017 pessoas de 40 a 69 anos e concluiu que a perda auditiva aumenta o risco de acidentes, como tropeços e quedas. Segundo a universidade americana, pessoas com perda de 25 dB (considerada leve) tinham triplicadas as chances de quedas.

Os idosos podem ter a audição prejudicada por fatores diversos, como a degeneração das células do ouvido ou por confusão mental, caso em que o idoso escuta, mas não entende. Um simples exame de audiometria pode indicar a perda de audição e, a partir dele, ser definido o tratamento. A partir dos 60 anos, esse é um exame de deve ser incluído no check-up anual.

A reabilitação, na maioria das vezes, comtempla o uso do aparelho auditivo. Atualmente, esses aparelhos são bastante confortáveis, mais acessíveis do que no passado, em termos de preço, e muito discretos. Há modelos de aparelhos auditivos altamente tecnológicos, com múltiplas funções e tamanhos bastante reduzidos. Alguns deles são capazes de amenizar 90 % das perdas auditivas, inclusive as mais severas. O mercado também já disponibiliza opções com tecnologia wireless, que captam inclusive o som de celulares.

Há casos de perda de audição, no entanto, em que há necessidade de implante coclear - também chamado de ouvido biônico - ou implantes de ouvido médio, que captam o som convertendo-o em vibrações mecânicas. Apenas o especialista pode indicar o tratamento mais apropriado, mas qualquer que seja a reabilitação o apoio da família irá colaborar enormemente para que o idoso se sinta mais confortável e motivado a encarar a perda auditiva e procurar ajuda médica.

Protelar o problema só agrava a exposição do idoso a doenças secundárias, privando-o de manter uma convivência plena e positiva com os amigos e familiares.

Andréa Abrahão - fonoaudióloga, diretora da rede de reabilitação auditiva Direito de Ouvir.


 

A formação do educador é um processo permanente

A formação do professor deve ser compreendida como um processo dinâmico, contínuo e permanente, tendo como base um conhecimento aprofundado sobre o aprendiz. Para enriquecer e fortalecer a formação, são fundamentais conhecimentos psicopedagógicos que o ajudem a compreender melhor as técnicas e destrezas que lhe permitirão uma boa e correta atuação educativa, conhecimentos metodológicos que possibilitem conduzir satisfatoriamente as aprendizagens dos pequenos e conhecimentos sociais para adequar melhor à realidade educativa ao contexto sócio-cultural.

Hoje, apenas a formação acadêmica, não é suficiente para a atuação do professor em sala de aula, pois o conhecimento da graduação precisa ser expandido para lhe possibilitar ir além dos conhecimentos básicos que são aprendidos no banco de uma universidade. O professor precisa buscar novos conhecimentos, pesquisar e ter seu próprio acervo de conhecimentos construído, para que tenha a possibilidade de relacionar teorias e escolher a ação prática mais adequada, refletindo sobre o que oferece como profissional ao seu aluno.

O esperado para um professor, é que ele esteja perto do seu aluno, conhecendo aquilo que ele já sabe, o que ainda pode saber, e como ele realiza suas atividades. Sendo assim, ele busca conhecimentos e estratégias que atendam aos diferentes estilos de ensinar e de aprender entre seus alunos. Ao abordar a figura do professor é preciso ressaltar que o objetivo é fazer com que o aluno passe a aprender com mais reflexividade, consciência e autonomia tendo um professor com foco no seu autoconhecimento e com a possibilidade de conhecer-se como ser humano e profissional.

O professor ao tomar consciência de suas atitudes, da elaboração de suas aulas e da prática pedagógica executada com o aprendiz, tem a possibilidade de compreender as estratégias adequadas a serem utilizadas a cada aula planejada. Quando ao executar a atividade, algo que não foi planejado, ou seja, um imprevisto acontecer é preciso que o professor tenha controle e seja habilidoso para conduzir a situação de modo que o objetivo final seja alcançado.

É importante que o professor/professora tenha conhecimento de si como educador e mantenha um diálogo próximo consigo e com o outro para acompanhar seu desenvolvimento e avaliar sua prática pedagógica com a intenção de modificar o que pode ser melhorado e permanecer com os aspectos positivos.  A inferência do professor na aprendizagem do aluno é importante dentro da sua prática, pois é a partir dessa atitude, que ele tem a possibilidade de conhecer como ele estabelece suas relações com a aprendizagem.

O exercício de ser professor é de extremo compromisso com a formação de uma vida, que precisa ser cuidada e acompanhada durante o seu desenvolvimento para estabelecer boas relações e aprendizagens que possam multiplicar-se com a trajetória acadêmica de cada aprendiz.

Ana Regina Caminha Braga - escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar.

 

A excelência no atendimento como vantagem competitiva

Uma pesquisa feita pela revista Pequenas Empresas Grandes Negócios revelou que 61% dos clientes afirmam que ser bem atendido é um fator mais relevante do que o preço.


De fato, isto se comprova em nosso cotidiano. Quantas vezes entramos numa loja dispostos a comprar e pelo mal atendimento decidimos por não comprar? E o contrário também ocorre, pois às vezes entramos apenas para olhar, mas graças a um atendimento encantador, decidimos levar algum produto ou serviço que foi tão bem exposto pelo atendente vendedor.

Parece simples, mas isto dá verdadeiramente um ótimo resultado e pude comprovar frente às câmeras. Fui convidado para participar de um programa de TV para analisar o atendimento de algumas lojas no centro de São Paulo. Me lembro de 2 cenas que foram ao ar sobre este tema. Estava ao lado do repórter quando ele perguntou a um ambulante sobre as vendas e ele, sentado na cadeira, disse que estava muito ruim, que os clientes tinham sumido. Quando ele disse isso, um cliente se aproximou e o repórter, então, sugeriu que o ambulante fosse lá atender, mas ele respondeu: “Atendo sentado daqui mesmo”. E, de forma passiva, com a mão segurando o rosto, indagou ao cliente: “Está precisando de alguma coisa?”. A resposta do cliente foi: “Não, só estou dando uma olhadinha”. E foi embora.

E veja que curioso, demos alguns passos e, na mesma calçada, há poucos metros deste primeiro, fomos surpreendidos pelo segundo ambulante que já nos recebeu em pé olhando nos olhos, com um largo sorriso no rosto dizendo: “Que bom que vocês vieram”. O repórter repetiu a pergunta feita anteriormente, sobre como estavam as vendas. O segundo ambulante respondeu: “Melhor impossível, as vendas estão ótimas, melhor ano da minha banca”.

Aí vem o mais espetacular. O repórter olhou para a banca do primeiro ambulante, comparou com a do segundo e perguntou: “Mas se o senhor está na mesma calçada, vende basicamente os mesmos produtos no mesmo preço que o seu vizinho, como pode estar indo tão bem e o rapaz da banca do lado estar tão desanimado?”. Ele respondeu: “Os clientes querem carinho, atenção. Recebo todas as pessoas com alegria e otimismo”. E emendou com chave de ouro: “Eu tenho como missão de vida, independentemente do cliente comprar algo ou não,  deixá-lo ir embora melhor do que quando ele chegou até mim”.

Este caso foi mais um onde ficou claro que o atendimento foi o diferencial decisivo do segundo, um empreendedor de verdade, perante o primeiro. Isso evidencia claramente a importância de treinarmos continuamente a equipe e identificarmos qual colaborador atende com excelência e, a partir daí, não medir esforços para reter este profissional de alta performance.

Vale lembrar, ainda, que um colaborador que atende bem e outro funcionário que atende mal geram o mesmo custo contábil na folha de pagamento da empresa no final do mês. Desta forma, é fundamental identificar também quem não pratica um atendimento de qualidade e jogar abertamente com ele sobre a necessidade da melhoria, treinar e dar as oportunidades antes de dispensá-lo. Mas é preciso deixar claro que o mercado está cada vez mais competitivo e que não há espaço para amadores ou funcionários descontentes que destratam consumidores ou potenciais compradores.

Quer aumentar as vendas, conquistar novos consumidores e fidelizar seus clientes? Torne a excelência no atendimento uma grande vantagem competitiva da sua organização!

Erik Penna - palestrante motivacional, especialista em vendas com qualificação internacional, consultor e autor dos livros “A Divertida Arte de Vender”, “Motivação Nota 10” e “21 soluções para potencializar seu negócio”

 

Oi! Tenta 40

A história mostra que as lutas dos trabalhadores são longas e difíceis. O processo civilizatório que eleva o padrão de vida da sociedade como um todo conta com a participação determinante dos trabalhadores. Eles inovaram, por meio dos sindicatos, em bandeiras de interesse geral, como a democracia, a liberdade, a igualdade, os direitos sociais em geral, criaram partidos e contribuíram para a construção do Estado moderno. Fizeram muito.

Para os trabalhadores, lutar é a condição para viver. Por isso, criam os sindicatos, um solidário instrumento de luta. Reduzir a jornada de trabalho é uma dessas lutas que nos acompanha desde a origem do sindicalismo. Exemplos não faltam. Entre 1850 e 1870, a jornada média na Alemanha era de 75 horas (se uma pessoa trabalha 60 e outra, 90 horas, a média dá 75). A média encobre muitas desigualdades! Na Inglaterra, foi o Factory Act que, em 1844, reduziu a jornada feminina de mais de 18 para 12 horas diárias.

Um anúncio publicado em 1813 por um fabricante de algodão nos Estados Unidos dizia: “Cotton Factory procura algumas famílias sóbrias e industriosas, que tenham pelo menos cinco filhos maiores de oito anos”. Estima-se que, em 1900, havia 1,7 milhão de crianças com menos de 16 anos trabalhando nos Estados Unidos, mais do que a totalidade dos membros da AFL (American Federation of Labour), o maior sindicato do país. Na Suécia, podia-se empregar meninos a partir de cinco anos, procedimento generalizado nos países da Europa no século XIX. Os exemplos e fatos se multiplicam e estão documentados por inúmeros cientistas sociais, economistas e historiadores.

A luta é longa! Foi somente no início do século XX que a jornada de 8 horas diárias ou 48 horas por semana começou a ser instituída onde, hoje, os países são desenvolvidos.

Educação, qualificação e tecnologia, reunidas nas indústrias nas cidades nascentes, fizeram a produtividade do trabalho crescer espetacularmente. No último século, a produtividade cresceu enquanto a jornada de trabalho era reduzida!

Mas as máquinas passaram a queimar os postos de trabalho e a luta para que todos tenham emprego ganhou vigor, renovando ainda mais as ações pela redução da jornada de trabalho. Trabalhar menos para que todos tenham empregos. Trabalhar menos para ganhar qualidade de vida, para conviver com a família e os amigos, estudar, praticar esportes, ver um filme, ir ao teatro, cantar, dançar, brincar ou, simplesmente, não fazer nada, ganhou centralidade na vida sindical e na luta dos trabalhadores.

O recente ato falho do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), propondo jornada de 80 horas semanais, em uma reunião que tratava de inovação, atropela a história e achincalha a utopia de uma sociedade justa. Mas, de maneira dialética, nos faz relembrar nossa história e nos provoca e convoca a protagonizar novos avanços.

Inovar hoje é promover um tipo de dinâmica econômica na qual todos tenham empregos de qualidade e bons salários, para produzir o que a sociedade precisa para ter bem-estar e qualidade de vida.

Inovar hoje é distribuir o produto social, promovendo igualdade de oportunidades e condições.

Inovar hoje é reduzir a jornada de trabalho para 40 horas.

Os trabalhadores veem longe e lutam sempre. Está na hora de tentar novamente!

Clemente Ganz Lúcio -  Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Grupo Reindustrialização

 

A formação continuada do professor

O professor dentro da abordagem tradicional de ensino podia preencher o quadro negro com o conteúdo, as crianças copiavam e respondiam às perguntas ou realizavam os exercícios sem interromper ou questionar sua prática e permaneciam sem exemplificação para suas dúvidas, o que impedia uma melhor compreensão do assunto. Nessa abordagem, não havia espaço e nem autonomia de pensamento ou liberdade de expressão em sala de aula. O professor falava, transmitia o conteúdo, realizava as tarefas e os exercícios, e todo aquele conhecimento era recebido como absoluta verdade.

Por outro lado, na metodologia interacionista, o professor já pode ser visto de outra maneira, em função dos avanços da educação nas suas questões básicas em prol do conhecimento/aprendizagem, bem como dos Regulamentos e Leis que amparam todo o processo de ensinar e aprender. Dessa maneira, busca-se um ensino e uma prática diferenciados, em que o professor não esteja mais tão adepto da abordagem tradicional, mas compreenda a importância de interagir com seus alunos. Na sua prática pedagógica é possível construir um planejamento com possibilidades reflexivas, em que eles participam e contam com a mediação do professor no seu desenvolvimento/aprendizagem.

O docente não precisa deixar o que aprendeu com as abordagens anteriores, mas é oportuno utilizar uma metodologia e estratégia adequada para ensinar o conteúdo para seus alunos, de maneira que estes sejam motivados a aprender sem a necessidade da presença do professor/professora de forma dependente em suas atividades.

É compreensível que o professor encontre dificuldades em modificar suas práticas anteriores, mas é importante a elaboração de uma visão menos conteudista, em que os alunos apenas recebem as informações.  É preciso que eles consigam transformar a informação em conhecimento e construam um sentido e significado para cada aprendizagem e assim possam facilitar suas relações e inferências com o mundo.

A escolha adequada da metodologia em sala de aula facilita o andamento das atividades tanto para os alunos como para o professor, pois ele está inserido dentro de um contexto que contempla os objetivos do seu planejamento de aula. É preciso que o profissional tenha um espaço que lhe possibilita visualizar as facilidades e as limitações de cada conteúdo colocado para a turma.

O foco é proporcionar ao aprendiz uma prática pedagógica na qual ele tenha suas habilidades exploradas e a oportunidade de evoluir como aprendiz, estando preparado para desenvolver seu papel, superando obstáculos e refazendo-se quando for necessário para rever ou recomeçar o desenvolvimento das aprendizagens, sejam elas sistemáticas e assistemáticas.

Por isso, a importância do papel que precisa desenvolver dentro de sala de aula, considerando que, além do aluno permanecer parte do seu tempo em sala de aula, é de sua responsabilidade externar e evidenciar na prática pedagógica seu conhecimento teórico como profissional para planejar e organizar as atividades, o espaço e as estratégias a serem utilizadas com o objetivo de motivar o aluno a aprender, e dessa maneira construir um ambiente no qual ele possa desenvolver o maior número de habilidades possível.

Elaborar uma aula não é preparar uma bela lição em que se preveem as perguntas e as respostas dos alunos. É preparar-se para estar à escuta, para se adaptar aos modos de resolução, de raciocínio dos alunos para levá-los a que tomem consciência deles, com finalidade de modificar, fazer evoluir e fomalizá-los em competências transferíveis.

É importante que o professor esteja preparado para oferecer ao aluno uma prática pedagógica que o proporciona a autonomia ao desenvolver uma atividade. É preciso estar disponível para ouvir questionamentos, posicionamento quanto ao conteúdo transmitido para ter a facilidade e a habilidade de instiga-lo a superar aquilo que fora proposto em sala de aula.

Ana Regina Caminha Braga - escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar

 
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