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Subjetividade Humana.

Semana passada vimos que o ser humano se relaciona com o mundo através de três formas de consciência: percepção, imaginação e reflexão. Entenda melhor lendo o artigo “Como atua a consciência?”. No texto de hoje veremos o que é subjetividade e por que é tão importante entender isso para o seu dia-a-dia.

O contrário da subjetividade é a objetividade, esta ocorre quando observamos, ou refletimos sobre algo que está no mundo numa relação direta com o objeto observado. Toda sua atenção está no objeto em questão e no contexto em que está inserido. Através disso elaboramos um saber a respeito e podemos então refletir sobre esse saber. Nesse caso o “objeto” da reflexão é um saber, quer dizer, uma outra consciência. E quando isso ocorre, denomina-se subjetividade. Mas porque é importante entender esse conceito? Porque uma vez internalizada uma experiência posso refletir sobre ela e sobre mim em relação ao que aconteceu, e ao fazer isso inicia o processo de reconhecimento de si. Esse é o processo básico de constituir os valores, quer dizer, as verdades que se elegem para guiar nossa vida. Feito o reconhecimento de si é possível a pessoa sentir-se segura para ocupar os lugares que deseja no mundo. Isto é válido para qualquer situação. Se a pessoa aprendeu a jogar determinado esporte, se vê no direito de jogar. Se aprendeu a se relacionar com as pessoas, quando se interessar por alguém, também se vê capaz de conhecer e buscar algo mais com essa pessoa. Mas se a pessoa não desenvolveu reflexões positivas a respeito de si, se vê insegura, consequentemente se exclui das possibilidades, deixando espaço para os outros que ela considera que podem fazer.

Expus algo complexo de forma simplificada e portanto superficial, mas estas situações são muito comum de acontecer. E quando a pessoa se constitui tímida, insegura, ou mesmo não sendo capaz para realizar alguma atividade ela sofre e se condena a não viver plenamente, nem se realiza no que deseja.

Boa parte dos problemas existenciais como: o medo exacerbado, pânico, ansiedade, entre outras, é originado na transição da reflexão com o ocorrido e a maneira como ela se reconhece capaz de enfrentar essa dificuldade, reconhecendo-se incapaz ou insegura. Embora a maior parte desses problemas tenha origem na infância, isto pode se formar em qualquer idade. A boa notícia é que a correção desses problemas também pode ser feita independente da idade. Embora não seja fácil, é possível transcender para um estado de segurança. Se você é inseguro, tímido, ou o medo lhe impede de construir seus projetos, procure ajuda, não deixe a vida passar e as oportunidades escorrem pelas suas mãos. Construa a sua vida com coragem, estratégia e segurança.

Psicólogo Flávio Melo Ribeiro - CRP12/00449

 

Psicopedagogia por uma Sociedade Aprendente

A sociedade atual passa por revoluções diversas, incluindo-se os meios de informação, midiáticos e tecnológicos. Todos os dias somos invadidos com novas informações e novas maneiras de absorver e aprender, influenciando diretamente em todos as esferas da vida, desde o pensar, o agir, o ensinar e o aprender. Num momento em que a capacidade de aprender é cada vez mais importante nas interações que estabelecemos e que o conhecimento se torna um recurso social determinante, a escola torna-se ainda mais relevante ao propiciar oportunidades para que os alunos descubram a capacidade que o conhecimento tem de transformar a realidade e resolver problemas e criar outras alternativas possíveis. Essa é a sociedade aprendente.

O termo aprendente foi cunhado pela psicopedagoga argentina, Alicia Fernàndez, uma grande influenciadora da psicopedagogia no Brasil. Os conceitos de aprendentes e também de ensinantes não são sinônimos de aluno e professor e sim a posicionamentos subjetivos/objetivos singulares frente ao conhecimento, ultrapassando o âmbito escolar, mas que podem se referir na linguagem cotidiana à função de ensinar e/ou de aprender. Na visão de Alicia, para que seja possível a aprendizagem, é necessário que quem aprende conecte-se mais com seu sujeito ensinante e quem ensina conecte-se mais com o sujeito aprendente, ou seja, aquele que está aprendendo deve poder mostrar suas ideias, opiniões e hipóteses sobre o que está aprendendo, enquanto quem ensina deve reconhecer que o outro, ao mostrar o que sabe, também o ensina.

Esse momento dessa sociedade da informação gerou muitas mudanças sociais que impactam o desenvolvimento de um modo geral, que exigem modificações das escolas em relação à estratégia e, automaticamente, mudanças na família e no ambiente em que vivemos. De que forma os profissionais da educação, sejam eles psicopedagogos, professores, pedagogos ou psicólogos educacionais, podem intervir para favorecer o desenvolvimento dessas crianças e jovens nessa sociedade aprendente? O papel desses profissionais da educação é manterem-se conectados com os novos elementos que o mundo propõe para essa sociedade percebendo e de que forma essas crianças e jovens estão interagindo com esses novos elementos. Esse profissional será o mediador entre esses elementos sociais e a capacidade do sujeito em articular isso, ou seja, buscar o equilíbrio entre o sujeito e o objeto de conhecimento.

Estes profissionais que compõem uma equipe multidisciplinar tem diferentes posicionamentos cada um do seu lugar e do seu espaço de saber apropriado precisam assegurar a integralidade do ser aprendente, portanto neste novo contexto da sociedade aprendente, o conhecimento torna-se um imperativo de convivência, por isso hoje é inconcebível reduzir a educação escolar tão somente a conhecimentos acumulados, tem-se a necessidade de avaliar e intervir parae transformar a educação escolar em experiências saudáveis de aprendizagem.

Percebe-se que diante da multiplicação dos diferentes modos de conhecimento ainda é premente a cultura da humanização nas relações compartilhadas entre alunos e professores e as novas formas de ensinar e de aprender, além das influências genéticas sobre o sujeito da aprendizagem, considerando-se também o ambiente em que vive. Acompanhar e entender estas mudanças constitui um exercício desafiador e essencial para os diversos profissionais da educação. Por conta disso, esse será o cerne do IV Simpósio Internacional de Psicopedagogia desse ano. Esperamos que novas ideias, pensamentos e experiências possam nos levar para caminhos e visões que contribuam para que a educação progrida e haja crescimento e evolução constantes para alcançarmos uma sociedade melhor.

Luciana Barros de Almeida é Presidente do Conselho Nacional da ABPp – Associação Brasileira de Psicopedagogia

 

Mercado Educacional: 4 dicas para melhorar a competitividade de instituições de Ensino

O mercado Educacional vem passando por profundas transformações nos últimos anos e as instituições de ensino privadas são cada vez mais exigidas a apresentar inovações e diferenciais que, de fato, conquistem os clientes e as coloquem à frente da concorrência. Pais e alunos esperam, além da excelência educacional, serviços mais ágeis, eficientes e um tratamento cada vez mais personalizado. Ações de massa e padronizadas, que não levem em consideração as peculiaridades, o momento e as interações com cada aluno, não têm mais espaço num mundo em que a voz e o poder de escolha do cliente têm tanta repercussão, sobretudo no ambiente digital. Ser apenas mais uma pode colocar em risco a sobrevivência da instituição de ensino no médio e longo prazo.

Pensando nesse cenário tão dinâmico e competitivo, elencamos quatro condições que devem ser observadas pelas empresas do setor educacional que pretendem se tornar mais eficazes, produtivas e rentáveis.

1-) Otimização de processos. Todas as escolas e instituições de ensino têm seus processos ligados à área financeira, atendimento, gestão acadêmica, documentação do aluno, etc. Quanto mais automatizados forem esses processos, maior tende a ser sua otimização, permitindo conciliar a economia de recursos com a melhoria do relacionamento com o cliente, a solução mais rápida de problemas e a redução dos caminhos burocráticos. Lembre-se, facilitar a vida do aluno conta muitos pontos a favor. O atendimento online é uma tendência irreversível em vários setores de serviços e as instituições de ensino não podem ficar de fora dessa realidade.

2-) Permanência dos alunos. Tão importante quanto buscar novos alunos é conseguir mantê-los na instituição. Para isso, é essencial conhecer o estudante de maneira individualizada, podendo fazer ações proativas que considerem aqueles que estão em risco de abandonar o curso. Se a escola conta com um bom sistema de informação acerca dos alunos, pode tomar decisões para negociar dívidas ou situações de inadimplência, monitorar aqueles que estão em alguma condição especial ou realizar trabalhos preventivos. O que importa é reduzir a evasão ao máximo e para isso é necessário ter atenção especial a cada aluno.

3-) Captação de alunos. Conquistar novos alunos é crucial para que as instituições ganhem escala e gerem novas receitas. Para isso, elas precisam detectar públicos potenciais, possuir cadastros apurados e atualizados e a partir daí promover campanhas qualitativas e direcionadas, capazes de apresentar a oferta certa para a pessoa certa, cursos complementares de acordo com o perfil do estudante, promoções personalizadas, etc. Conhecer seu público-alvo é uma regra de ouro; desconhece-lo é como dar um tiro no escuro. Não é à toa que ações de inbound marketing m tomando o lugar antes ocupado pela propaganda de massa.

4-) Indicadores de performance. é possível ter qualidade de atendimento se os indicadores de gestão forem monitorados continuamente. Sem indicadores de negócios não é possível, avaliar o desempenho e tomar decisões assertivas. Tudo o que se mede sistematicamente tende a melhorar. É importante ressaltar, no entanto, que não se pode acompanhar todos os indicadores. A instituição tem que definir os indicadores prioritários a serem acompanhados de acordo com sua estratégia de negócios e com os resultados que pretende atingir.

É claro que não existem receitas prontas e triviais para que as instituições de ensino atinjam o sucesso esperado. As variáveis são muitas e o contexto é extremamente dinâmico. Entretanto, não há dúvida de que algumas condições, como as quatro relatadas neste artigo, são fundamentais para aproximar as instituições de ensino do crescimento e do sucesso.

Luiz Claudio Aguiar - VP Comercial da Digisystem, empresa de Tecnologia da Informação 100% brasileira, criadora da solução Educa 360

 

Dia do Professor

A cada ano, no dia do Professor, penso em escrever  algo  positivo, que motive a categoria do magistério, no entanto, a tarefa está cada vez mais difícil. A situação se agrava de ano para ano.

Os salários dos professores da Rede Pública Estadual estão congelados desde janeiro de 2015 e atualmente estão parcelados mês a mês, causando grande angústia entre os mestres, que ficam na expectativa de quanto vão receber e que contas poderão pagar, com os parcos reais que recebem.

Neste ano, os educadores fizeram uma greve de 54 dias, sem ganho salarial, por intransigência do governo, que usa a tática do parcelamento dos salários, para evitar que professores e demais funcionários do Executivo, reivindiquem reajuste.

O Piso Salarial Profissional, antiga reivindicação do Magistério,  aprovado em 2007, está cada vez mais distante. Nosso Estado é um dos muitos que não honra o compromisso de pagá-lo.

O Índice de Avaliação da Educação Básica (IDEB) apontou queda alarmante no desempenho do Ensino Médio no Rio Grande do Sul. Os dados chamaram a atenção das autoridades educacionais e o governo federal resolveu fazer uma reforma neste nível de ensino, porém partiu do pior início, ou seja, através de uma medida provisória e sem consulta aos protagonistas e maiores interessados: educadores, estudantes e comunidades escolares.

Muitos são os fatores que influenciam para esta queda do desempenho dos alunos, a  começar pelos baixos salários dos professores, que obrigam o profissional da educação a uma carga horária desumana, acrescido das más condições de trabalho na maioria das escolas, que chegam a oferecer perigo  pela sua precariedade, além da falta de equipamentos como laboratórios e espaços para atividade física.

Para resolver estes problemas são necessários professores qualificados e valorizados, excelência na gestão, escolas equipadas e o envolvimento da família e da sociedade. Não é fazendo uma reforma no canetaço, que inclusive desmerece o importante papel desempenhado pelos mestres, estabelecendo que as chamadas “pessoas com notório saber”, sem critérios claros, podem substituir um professor preparado para a nobre missão de ensinar.

Marina Lima Leal - professora

 

Uma monstruosidade jurídica praticada pelo STF

A imprensa unânime e a sociedade aplaudiram recente decisão do STF, adotada por apertada maioria de 6 votos a 5, válida para todos os casos, segundo a qual uma decisão colegiada de segundo grau já autoriza a imposição de pena ao acusado. Aplaude-se o fim da impunidade, que, obviamente, todos desejamos. E, também, os Ministros vencidos. Em tal circunstância, é pertinente a pergunta do porquê de terem saído vencidos.

Tentaremos formular a resposta mais compreensível. Nos processos judiciais, de qualquer tipo, o objetivo é aplicar a lei a um caso concreto. Para tanto, os juízes, as partes e o Ministério Público devem observar o fato com a ajuda de duas lentes. Uma é a que verifica o fato e todos os seus detalhes. A outra é a que observa qual a norma ou normas jurídicas reguladoras daquela hipótese, interpreta-as e aplica-as. A primeira lente vê a matéria de fato; a segunda a matéria de direito, é dizer, como tal fato é encarado pela doutrina jurídica, pela jurisprudência e pelos princípios gerais de direito.

A reconstrução do fato é sempre mais simples. A busca da verdade. Uma série de instrumentos auxilia o descobrimento da verdade, observados, sempre, o princípio do devido processo legal e da ampla defesa.  Existem provas testemunhais, periciais, depoimentos das partes e meios tecnológicos modernos, como câmeras instaladas em ruas e casas, que facilitam e tranquilizam o juiz na árdua tarefa de julgar. A complexidade do problema aparece quando se trata de verificar qual o direito incidente, interpretá-lo devidamente e aplicá-lo.

Essa é a regra do direito processual geral que não se distingue do direito processual penal. O que distingue o processo civil, penal e trabalhista são princípios específicos, porquanto cada um deles se arrima sobre valores e fins diversos. A roda, contudo, gira do modo acima exposto.

O Judiciário opera em várias instâncias. A primeira tem por julgador um único juiz, chamado de juiz singular. Somente a ele cabe proferir a sentença, armado de seus conhecimentos jurídicos e, preferencialmente, de um temperamento sereno e equilibrado. Afinal, suprimir a liberdade de alguém pesa tanto sobre os ombros do juiz que sua maioria recebe bem o recurso. Outros compartilharão do julgamento da causa. Reiteremos: desde a primeira instância ou primeiro grau o juiz olha o evento munido daquelas duas lentes.

A segunda instância é o Tribunal de nossos estados federados ou regiões no campo federal. O tribunal se decompõe em Turmas ou Câmaras. A causa é revista, no mínimo, por três desembargadores, que ascenderam ao Tribunal, alternativamente, por merecimento ou antiguidade. É o órgão colegiado. A decisão pode ser unânime ou adotada por maioria. Se condenatória e a pena for de reclusão, o acusado (réu), segundo a decisão que mencionamos, segue diretamente para o cárcere.

Acima dos Tribunais estaduais ou regionais, encontramos os Tribunais Superiores (Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Superior Militar, Tribunal Superior do Trabalho). Estes já descartam a primeira lente. Não examinam os fatos. São encarregados de ver apenas o direito, ou, como queiram, a matéria de direito ou teórica. Isso porque as instâncias inferiores podem divergir na interpretação e aplicação da norma jurídica; cabe aos Ministros superiores dar a última palavra sobre o sentido do direito. Dele depende a condenação ou absolvição do réu, entre alguns outros aspectos.

Não é uma tarefa simples. Há casos em que os colegiados superiores optam por uma interpretação, mas seus membros permanecem com dúvidas. Seus precedentes, cumulados num determinado sentido, formam o que se denomina jurisprudência dos Tribunais Superiores. Pode haver, porém, jurisprudências contrastantes, entre turmas ou em relação aos entendimentos dos Tribunais Regionais e, ainda, entre estes. Mais, entre os próprios Tribunais Superiores. Essas diferenças devem ser consideradas naturais, porque o direito é um fenômeno complexo. Se assim não fosse, seria uma simples técnica, ensinada em cursos médios. Ao contrário, a maior literatura científica mundial é a literatura jurídica.

O Eminente Ministro Teory Zavaschi fez uma observação, na sessão de julgamento, que nos auxilia nesta nossa tentativa de tornar claras as coisas ao leitor. Afirmou que, completado o julgamento do colegiado regional, está observado o duplo grau de jurisdição. Com a devida vênia, a assertiva não é correta, dado que aquele colegiado, ao manejar uma das mencionadas lentes, a da ciência, pode não ter sido feliz;

pode ter seguido uma corrente de pensamento incorreta, ainda que majoritária. Afastar a intervenção dos Tribunais Superiores, de modo eficiente, dos juízos criminais, é conviver com a temeridade da ciência. E ciência temerária ou inconclusa não é ciência: que o digam os físicos, químicos, neurocientistas etc. Queixa-se da demora em mandar criminosos para a cadeia. E a demora de pesquisadores em dar por concluída uma pesquisa sobre o câncer, enquanto morrem milhares de pessoas, a bem da certeza científica?

E o problema existe na irreparabilidade. Um dia de nossas vidas nas pocilgas brasileiras denominadas de presídios deixa-nos marcas indeléveis. Imagine-se o tempo imenso que decorre entre os pronunciamentos que, agora, podem levar à prisão, e a palavra definitiva de nossos superiores operadores do direito.

Imagine-se a hipótese em que um juiz de primeira instância absolveu acusados do crime de formação de quadrilha. Quatro ou mais se conheceram momentaneamente e resolveram furtar um automóvel estacionado nas imediações. O juiz de primeira instância os absolveu da acusação de formação de quadrilha, por se tratar de um crime que pressupõe organização estável de quatro ou mais com vista à criminalidade, reunindo-se sempre e partilhando os produtos do crime. Já o Tribunal local (note-se que o Tribunal de Justiça de S. Paulo julga uma média de 200 processos por sessão), considerou que, praticado o ato, a formação de quadrilha estava implícita. Olvidou-se o crime praticado por mais de uma pessoa, em concurso de agentes, cujas consequências para os réus são bem menores. Certamente o Tribunal Superior de Justiça reformará, no ponto, esse julgado, e afastará a condenação por formação de quadrilha. Nessa altura, porém, o acusado já terá cumprido a pena, total ou parcialmente. Ninguém se sensibiliza: é ladrão mesmo.

Tal como posta a matéria, presumiu-se que todos os recursos interpostos aos Tribunais Superiores são protelatórios, destinados ao fracasso. Tem-se uma estatística aproximada de que de 80 a 90% das decisões são confirmadas pelos Tribunais Superiores. Para o caso das não confirmadas, o pronunciamento será inútil, o réu pagará pena indevida, os Ministros perderão seu tempo e nós nossos impostos. Não são tais recursos que se destinam ao fracasso; é o processo, como disse um grande processualista, Francesco Carnelutti, ao encerrar melancolicamente sua brava aventura advocatícia.

Tratando-se de julgamento em duas ações diretas de inconstitucionalidade, ainda há tempo de o STF, no ponto, corrigir o radicalismo adotado, em sede de embargos de declaração (recurso destinado a aclarar todos os aspectos de um julgamento), não apenas para evitar "abusos" dos Tribunais Regionais, como ficou ressalvado, mas para afastar do cumprimento os apenados por decisões que, em tese,  impliquem em violação de lei ou divergência jurisprudencial, a critério do órgão colegiado que a fixou. 

Amadeu Roberto Garrido de Paula - advogado e poeta. Autor do livro Universo Invisível e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas

 

O exemplo vem de cima?

O exemplo vem de cima?
*Por Yaniv Chor
Atravessamos uma das maiores crises éticas da história do Brasil. Acompanhamos, diariamente, infindáveis casos de corrupção envolvendo altos escalões do governo e de grandes empresários de diversos setores da economia. Neste mesmo ambiente de “incertezas éticas” nacionais, a Lei 12.846/13, lei anticorrupção brasileira, e seus decretos regulamentadores, exigem que o exemplo do exercício de atitudes éticas e transparentes venha do topo da organização. O que pode parecer contraditório, mas não é.
Se observarmos o ambiente ao nosso redor, perceberemos que, para certas decisões, o microambiente influencia mais que o macro ambiente. Com a ética funciona exatamente assim. Caso contrário, como poderíamos explicar um jovem que cresce em um ambiente corrompido pelo tráfico de drogas optar por estudar para se desenvolver e se capacitar profissionalmente, em vez de se envolver com o crime? A resposta para isso passa, entre outras coisas, pela educação que o jovem recebe em casa, e que o ensina a discernir o certo do errado. Ou seja, neste caso, o microambiente familiar sobrepõe o macro ambiente do tráfico de drogas.
Se aplicarmos essa teoria para o ambiente corporativo, é isso que se espera das empresas no relacionamento com agentes públicos e agentes privados, mesmo com um ambiente político cercado de escândalos de corrupção. Isto é, espera-se que o microambiente corporativo, pautado pela ética e transparência, influencie positivamente o ambiente político e econômico do país.
E, para que isso dê certo, a máxima que “o exemplo vem de cima” é fundamental. A alta gestão das empresas deve estar envolvida nas ações de compliance, mostrando para todos os funcionários que estar em conformidade faz parte da estratégia de crescimento e, muitas vezes, de sobrevivência, como algumas empresas envolvidas em escândalos recentes têm afirmado.
Em meados de 2007, uma empresa norte-americana do setor de tecnologia lançou um novo Código de Ética para negócios e relações trabalhistas após um escândalo de espionagem industrial envolvendo a então presidente e outros executivos. No entanto, em 2010, foi descoberto que o novo presidente da empresa havia falsificado relatórios de despesas para esconder um relacionamento com uma funcionária. O que era um caso de assédio sexual derrubou as ações da empresa em 8%, uma vez que o mercado deixou de confiar em uma empresa cujo presidente age dessa forma. Havia incertezas sobre a administração da empresa: e se a companhia escolheu as pessoas erradas? Se o líder da empresa se comporta desta forma, o que esperar de seus liderados?
Cabe aos líderes das empresas garantir o tom de compliance corporativo que será adotado. Esses devem participar de treinamentos, orientar seus funcionários no dia a dia no que diz respeito às normas a serem seguidas e incentivar o uso de canais corporativos para a comunicação de condutas diferentes do esperado pela empresa. Principalmente, não podem tolerar que atitudes antiéticas sejam tomadas em nome da empresa, seja no relacionamento com setor público, privado ou social.
Se o exemplo a ser seguido dentro das empresas for bom, podemos projetar uma melhoria no cenário econômico e social do país. Caso contrário, teremos que nos acostumar com as tristes notícias que testemunhamos hoje em dia.
Yaniv Chor é líder da Prática de Compliance da ICTS Protiviti, consultoria especializada em auditoria interna, serviços em gestão de riscos e compliance.

Atravessamos uma das maiores crises éticas da história do Brasil. Acompanhamos, diariamente, infindáveis casos de corrupção envolvendo altos escalões do governo e de grandes empresários de diversos setores da economia. Neste mesmo ambiente de “incertezas éticas” nacionais, a Lei 12.846/13, lei anticorrupção brasileira, e seus decretos regulamentadores, exigem que o exemplo do exercício de atitudes éticas e transparentes venha do topo da organização. O que pode parecer contraditório, mas não é.

Se observarmos o ambiente ao nosso redor, perceberemos que, para certas decisões, o microambiente influencia mais que o macro ambiente. Com a ética funciona exatamente assim. Caso contrário, como poderíamos explicar um jovem que cresce em um ambiente corrompido pelo tráfico de drogas optar por estudar para se desenvolver e se capacitar profissionalmente, em vez de se envolver com o crime? A resposta para isso passa, entre outras coisas, pela educação que o jovem recebe em casa, e que o ensina a discernir o certo do errado. Ou seja, neste caso, o microambiente familiar sobrepõe o macro ambiente do tráfico de drogas.

Se aplicarmos essa teoria para o ambiente corporativo, é isso que se espera das empresas no relacionamento com agentes públicos e agentes privados, mesmo com um ambiente político cercado de escândalos de corrupção. Isto é, espera-se que o microambiente corporativo, pautado pela ética e transparência, influencie positivamente o ambiente político e econômico do país.

E, para que isso dê certo, a máxima que “o exemplo vem de cima” é fundamental. A alta gestão das empresas deve estar envolvida nas ações de compliance, mostrando para todos os funcionários que estar em conformidade faz parte da estratégia de crescimento e, muitas vezes, de sobrevivência, como algumas empresas envolvidas em escândalos recentes têm afirmado.

Em meados de 2007, uma empresa norte-americana do setor de tecnologia lançou um novo Código de Ética para negócios e relações trabalhistas após um escândalo de espionagem industrial envolvendo a então presidente e outros executivos. No entanto, em 2010, foi descoberto que o novo presidente da empresa havia falsificado relatórios de despesas para esconder um relacionamento com uma funcionária. O que era um caso de assédio sexual derrubou as ações da empresa em 8%, uma vez que o mercado deixou de confiar em uma empresa cujo presidente age dessa forma. Havia incertezas sobre a administração da empresa: e se a companhia escolheu as pessoas erradas? Se o líder da empresa se comporta desta forma, o que esperar de seus liderados?

Cabe aos líderes das empresas garantir o tom de compliance corporativo que será adotado. Esses devem participar de treinamentos, orientar seus funcionários no dia a dia no que diz respeito às normas a serem seguidas e incentivar o uso de canais corporativos para a comunicação de condutas diferentes do esperado pela empresa. Principalmente, não podem tolerar que atitudes antiéticas sejam tomadas em nome da empresa, seja no relacionamento com setor público, privado ou social.

Se o exemplo a ser seguido dentro das empresas for bom, podemos projetar uma melhoria no cenário econômico e social do país. Caso contrário, teremos que nos acostumar com as tristes notícias que testemunhamos hoje em dia.

Yaniv Chor - líder da Prática de Compliance da ICTS Protiviti, consultoria especializada em auditoria interna, serviços em gestão de riscos e compliance.

 

 
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